Quando era pequeno, o menino tinha uma preocupação especial antes de ir à escola: não esquecer da borracha. Quando não a achava, não sentia necessidade de levar o lápis. Afinal, para quê diabos usaria o lápis se não poderia apagar o escrito? Além disso, funcionava como uma desculpa para escrever com sua canetinha do Batman, a qual só era acionada em ocasiões especiais - questão de economia e estilo. A do Robin, é claro, ficava para o dia-a-dia.
Talvez haja um quê de sabedoria numa atitude tão singela. A inocência do garoto tem como fruto uma boa metáfora da existência humana. Talvez a vida seja um papel de caderno - aí já não sei o super-herói da capa - e tenhamos a opção de escrevê-la da maneira pela qual queremos. O lápis seria uma garantia de que, se tudo desse errado, poder-se-ia apagar tudo e partir do zero. Representa a cautela, o cuidado para que tudo dê certo. O único probleminha, amigo, é que a temporalidade não permite nenhuma borracha: o que se escreve, o que se faz, não mais será apagado - no máximo, rasurado. Mesmo que se arranque a folha, a amasse e se lhe jogue fora, o escrito, o feito, o passado não pode ser mudado.
Ora, qual o sentido de se usar o lápis se não há borracha? Não seria muito mais razoável - e, provavelmente, mais divertido - utilizar a nossa caneta preferida? É sabido que um dia a tinta irá acabar - mas também é assim com o grafite e com tudo nesse mundo. Escrever a própria existência com a caneta que se deseja, colocando no papel o que se quiser: taí um bom sentido para a vida. Talvez se mais gente agisse dessa forma, buscando o que quer sem a cautela, sem o medo de errar ou de ser reprovado, viveríamos num lugar mais cool.
É lógico, porém, que a prudência, a cautela e qualidades similares são necessárias para qualquer um. Não se pode escrever de qualquer jeito - afinal, ninguém (creio eu) gosta de ler um texto todo rasurado. Escrever com caneta exige um cuidado e uma atenção toda especial, além de uma convicção de que se está fazendo tudo do jeito certo. É preciso um grau de maturidade para que se perceba a imensa responsabilidade embutida nisso tudo: é a sua história; você escreve. Logicamente, as consequências dos seus atos devem vir ao seu encontro.
Portanto, amigo, não tenha medo de escrever com a caneta. Nossa vidinha é por demais pequenina para que tenhamos tempo de fazer rascunhos e de buscar a perfeição em tudo. Lembre-se que nem mesmo os super-heróis são perfeitos (faça-se justa exceção a Chuck Norris). Recorde-se que a borracha da vida não existe. Não economize a tinta de sua caneta preferida - nunca se sabe quando ela pode quebrar ou quando um vento pode levar para longe o seu papel. Use-a o máximo que puder, com toda a responsabilidade que isso implica. Seja seu Batman. Ou então se contente com o papel de coadjuvante na própria vida. Você escolhe, você marca o X.
E a resposta só vale se for de caneta.
sábado, 16 de abril de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Cardápio
Tem certa coisa que me intriga. Por exemplo: é costume de escritores renomados (e bons) fazer um pequeno prefácio em seus textos ao se contar uma historinha relacionada ao tema. De preferência, metaforicamente. Passa uma ideia de cultura, genialidade, experiência no assunto. Mais ou menos como um passe de trivela mais simples, substituível por um passe normal. Serve para seu autor mostrar que sabe. Sua principal serventia, porém, é a de segurar o leitor. Um bom começo, com uma boa historinha, é fundamental para isso.
O problema é que raramente consigo um começo assim. Tudo bem que agora eu usei essa falta de habilidade - ou de cultura, seja o que for - como uma boa desculpa para começar um texto. Mas, normalmente, não sai tão fácil assim. Claro que existe aquele texto que já está quase pronto na cachola, mas é difícil achar um conteúdo legal que se possa relacionar ao que se quer falar. Basta dizer que a ideia inicial deste texto era a de falar sobre frutos do mar e sobre um termo usado num cardápio. Onde diabos se conseguiria uma introdução atrativa para isso? Ou será que o certo é ir direto ao ponto, sem preliminares? Ou não existe uma fórmula certa e cada texto é único e tem uma construção que deve ser seguida sacramentalmente?
É difícil responder. A ideia de que existe um mundo dos textos - sugerida, salvo engano, num poema de Carlos Drummond de Andrade - é até legal, mas improvável. Dá pra imaginar um lugar escuro, cheio de palavrinhas em branco que andam juntas, esperando serem sugadas para outra dimensão, uma espécie de cosmos da linguagem. Só que a ideia é meio maluca. Bonita, mas maluca. Melhor acreditar que os textos esperam para serem criados semi-prontos. Na cabeça de cada um, ele aguarda. Pode ser exteriorizado via oral ou escrita. Não que ele já esteja pré-pronto: é sua ideia que está. Cabe ao escritor - ou orador - dar-lhe requinte, de acordo com seus gostos, aptidões, talentos e prática. Daí é que vêm os grandes. É quase uma receita (apesar de que existem alguns pratos pré-prontos muito gostosos, o que traz dúvidas sobre a eficácia dessa metáfora), como se a união desses elementos implicasse em boas produções. Matemática.
Essa é a fórmula. Com a prática, provavelmente se alcançarão introduções engatilhadas a qualquer assunto. Bem, pelo menos torço por isso. Quanto aos frutos do mar, basta dizer que existem preliminares tão boas que dispensam o prato principal.
Talvez aí exista uma boa razão para a metáfora com comida.
O problema é que raramente consigo um começo assim. Tudo bem que agora eu usei essa falta de habilidade - ou de cultura, seja o que for - como uma boa desculpa para começar um texto. Mas, normalmente, não sai tão fácil assim. Claro que existe aquele texto que já está quase pronto na cachola, mas é difícil achar um conteúdo legal que se possa relacionar ao que se quer falar. Basta dizer que a ideia inicial deste texto era a de falar sobre frutos do mar e sobre um termo usado num cardápio. Onde diabos se conseguiria uma introdução atrativa para isso? Ou será que o certo é ir direto ao ponto, sem preliminares? Ou não existe uma fórmula certa e cada texto é único e tem uma construção que deve ser seguida sacramentalmente?
É difícil responder. A ideia de que existe um mundo dos textos - sugerida, salvo engano, num poema de Carlos Drummond de Andrade - é até legal, mas improvável. Dá pra imaginar um lugar escuro, cheio de palavrinhas em branco que andam juntas, esperando serem sugadas para outra dimensão, uma espécie de cosmos da linguagem. Só que a ideia é meio maluca. Bonita, mas maluca. Melhor acreditar que os textos esperam para serem criados semi-prontos. Na cabeça de cada um, ele aguarda. Pode ser exteriorizado via oral ou escrita. Não que ele já esteja pré-pronto: é sua ideia que está. Cabe ao escritor - ou orador - dar-lhe requinte, de acordo com seus gostos, aptidões, talentos e prática. Daí é que vêm os grandes. É quase uma receita (apesar de que existem alguns pratos pré-prontos muito gostosos, o que traz dúvidas sobre a eficácia dessa metáfora), como se a união desses elementos implicasse em boas produções. Matemática.
Essa é a fórmula. Com a prática, provavelmente se alcançarão introduções engatilhadas a qualquer assunto. Bem, pelo menos torço por isso. Quanto aos frutos do mar, basta dizer que existem preliminares tão boas que dispensam o prato principal.
Talvez aí exista uma boa razão para a metáfora com comida.
domingo, 10 de outubro de 2010
Falta de postagens
Post minúsculo só para justificar a ausência de postagens com uma palavra: provas.
Além da eventual falta de inspiração.
Prometo que lá pro dia 19 eu posto algo decente.
Além da eventual falta de inspiração.
Prometo que lá pro dia 19 eu posto algo decente.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A goleira do Gigantinho
A goleira do Gigantinho. Poucas coisas eram tão certas no futebol como o fato de que esta goleira seria amaldiçoada. Não exatamente amaldiçoada, mas enjoada, carrancuda, cabulosa. Basta assistir a todos os gols históricos do Internacional: o gol iluminado, o primeiro gol da final de 76, o gol do Dunga contra o Palmeiras, os gols contra o Libertad, o gol do Tinga... Todos no outro lado do campo. Todos na goleira do placar.
Minha teoria não explica isso por um mero acaso do futebol. Na verdade, o que acontece é que, em algum momento antes do jogo - muito provavelmente na noite anterior, já que o futebol escolheu ser brasileiro e nós deixamos tudo pra última hora -, as traves decidem de quem e quantos gols levarão. O velho jargão do futebol que diz "a bola não quer entrar" está errado por esse singelo detalhe: não é a bola, aquele objeto desleal e manipulável, que decide se vai ou não tocar as redes. É a baliza quem manda. Se ela está de mau humor e não quer tomar gol, não existe jogador capaz de contrariar sua vontade. Mas se ela está faceirinha, não tem goleiro que seja capaz de não tomar uma goleada. O placar do jogo nada mais é do que a soma dos placares que cada goleira escolhe.
O que eu notava, desde que passei a acompanhar o Inter, era a inconveniência da goleira do Gigantinho. Gol do adversário aos 49 do segundo tempo? Sempre nela. O Inter precisa de um gol faltando 2 minutos pro fim do jogo? Não nela. Onde sempre fica a torcida adversária? Atrás dela. Já a goleira do placar sempre foi só alegria. Gol de título, gol salvador, golaço, gol mil... todos lá. Além disso, atrás desta é que se colocam as principais torcidas - organizadas ou não - coloradas.
Tinha que ter uma explicação para isso. Cogitei até que a goleira do Gigantinho fosse gremista, uma infiltrada em território inimigo. Mas aí já seria demais. Talvez as duas sempre combinassem na sorte - não me pergunte como - onde seriam os gols e a coitada sempre desse azar. Ou podia ser até uma questão de carma, nunca se sabe. O fato é esse: a goleira do Gigantinho era uma chata. Isso sempre me acompanhou. Até o dia dezoito de agosto de 2010.
Intervalo de jogo. O Chivas batia o Inter em pleno Beira Rio, na final da Libertadores. O gol do inimigo, claro, ocorrera na goleira do Gigantinho. E esse era o grande problema. Não importava como os times iriam voltar a campo, se haveria alguma mudança tática radical no Colorado ou se os mexicanos iriam voltar com sete zagueiros. A verdade era que o Inter dependia somente do arbítrio de sua mais incerta aliada. Por que diabos a outra goleira, sempre fiel aos objetivos colorados, sempre paparicada, sempre exaltada, não cedeu um golzinho para o Inter? Por que tinha tudo de estar nas mãos - figurativamente falando, claro - da goleira mais cabulosa do Beira Rio?
Depois do jogo, eu entendi. Em meio às comemorações, aos foguetes e aos gritos colorados, urros orgulhosos de quem era mais uma vez dono da América, eu tive uma visão. Meio embaçada, admito, mas na qual eu parecia observar o Beira Rio mais ou menos do lugar onde eu estava - um pouco mais pra esquerda, para perto do Gigantinho. O estádio estava vazio, apenas algumas lâmpadas dos refletores acesas, o verde do campo quase absorvido pela escuridão noturna. As traves, ao invés disso, pareciam ter luz própria. Não brilhavam, mas certamente tinham um destaque no cenário. Era como estivessem se comunicando. Apesar de não ouvir nenhuma voz, ficou claro tudo o que estava posto. Toda um histórico de injustiça, de desigualdade, de tratamento diferenciado. A goleira da esquerda parecia se fazer entender, sabiamente. Era como se um filmes de gols, defesas e bolas na trave, desde as arranhadas imagens dos anos 70 até as daquele dia, fosse exibido no gramado. Transpassava-se pela película verde uma vontade de se provar, consequência de um sentimento guardado, remoído. Foi reivindicada uma redenção. E ela tinha data marcada.
Tudo ficou claro: a visão, o estádio e minhas ideias. Os três gols do Inter ocorreram na goleira do Gigantinho. Ela fizera questão do suspense ao intervalo. Fizera questão de novamente ser posta em dúvida, para que o gosto de sua apoteose fosse ainda mais saboroso. Ainda ganhara um presente da outra goleira, que sofreu um gol do Chivas ao fim do jogo. Finalmente, era ela a estrela da noite, era ela o motivo da felicidade vermelha, veio dela a razão de ser feito um carnaval em agosto.
Quando me dei por mim, estava observando a festa dos jogadores, na frente da Popular, atrás da goleira do placar. Logo olhei para o outro lado do campo, quase vazio, por alguns detalhes diferente da minha visão anterior. Lá estava a goleira do Gigantinho, novamente reluzente. Era observada, provavelmente, apenas por mim e pela outra goleira, que a encarava felizmente. A história era finalmente compensada.
Não se importava onde todos comemorariam. Não ligava se ninguém olhasse para ela. A grande verdade era que, quando todos saíssem do estádio e ele, mais uma vez, estivesse vazio e levemente iluminado, a goleira do Gigantinho poderia adormecer em paz, com uma certeza: nenhum sonho poderia ser melhor do que a realidade.
Minha teoria não explica isso por um mero acaso do futebol. Na verdade, o que acontece é que, em algum momento antes do jogo - muito provavelmente na noite anterior, já que o futebol escolheu ser brasileiro e nós deixamos tudo pra última hora -, as traves decidem de quem e quantos gols levarão. O velho jargão do futebol que diz "a bola não quer entrar" está errado por esse singelo detalhe: não é a bola, aquele objeto desleal e manipulável, que decide se vai ou não tocar as redes. É a baliza quem manda. Se ela está de mau humor e não quer tomar gol, não existe jogador capaz de contrariar sua vontade. Mas se ela está faceirinha, não tem goleiro que seja capaz de não tomar uma goleada. O placar do jogo nada mais é do que a soma dos placares que cada goleira escolhe.
O que eu notava, desde que passei a acompanhar o Inter, era a inconveniência da goleira do Gigantinho. Gol do adversário aos 49 do segundo tempo? Sempre nela. O Inter precisa de um gol faltando 2 minutos pro fim do jogo? Não nela. Onde sempre fica a torcida adversária? Atrás dela. Já a goleira do placar sempre foi só alegria. Gol de título, gol salvador, golaço, gol mil... todos lá. Além disso, atrás desta é que se colocam as principais torcidas - organizadas ou não - coloradas.
Tinha que ter uma explicação para isso. Cogitei até que a goleira do Gigantinho fosse gremista, uma infiltrada em território inimigo. Mas aí já seria demais. Talvez as duas sempre combinassem na sorte - não me pergunte como - onde seriam os gols e a coitada sempre desse azar. Ou podia ser até uma questão de carma, nunca se sabe. O fato é esse: a goleira do Gigantinho era uma chata. Isso sempre me acompanhou. Até o dia dezoito de agosto de 2010.
Intervalo de jogo. O Chivas batia o Inter em pleno Beira Rio, na final da Libertadores. O gol do inimigo, claro, ocorrera na goleira do Gigantinho. E esse era o grande problema. Não importava como os times iriam voltar a campo, se haveria alguma mudança tática radical no Colorado ou se os mexicanos iriam voltar com sete zagueiros. A verdade era que o Inter dependia somente do arbítrio de sua mais incerta aliada. Por que diabos a outra goleira, sempre fiel aos objetivos colorados, sempre paparicada, sempre exaltada, não cedeu um golzinho para o Inter? Por que tinha tudo de estar nas mãos - figurativamente falando, claro - da goleira mais cabulosa do Beira Rio?
Depois do jogo, eu entendi. Em meio às comemorações, aos foguetes e aos gritos colorados, urros orgulhosos de quem era mais uma vez dono da América, eu tive uma visão. Meio embaçada, admito, mas na qual eu parecia observar o Beira Rio mais ou menos do lugar onde eu estava - um pouco mais pra esquerda, para perto do Gigantinho. O estádio estava vazio, apenas algumas lâmpadas dos refletores acesas, o verde do campo quase absorvido pela escuridão noturna. As traves, ao invés disso, pareciam ter luz própria. Não brilhavam, mas certamente tinham um destaque no cenário. Era como estivessem se comunicando. Apesar de não ouvir nenhuma voz, ficou claro tudo o que estava posto. Toda um histórico de injustiça, de desigualdade, de tratamento diferenciado. A goleira da esquerda parecia se fazer entender, sabiamente. Era como se um filmes de gols, defesas e bolas na trave, desde as arranhadas imagens dos anos 70 até as daquele dia, fosse exibido no gramado. Transpassava-se pela película verde uma vontade de se provar, consequência de um sentimento guardado, remoído. Foi reivindicada uma redenção. E ela tinha data marcada.
Tudo ficou claro: a visão, o estádio e minhas ideias. Os três gols do Inter ocorreram na goleira do Gigantinho. Ela fizera questão do suspense ao intervalo. Fizera questão de novamente ser posta em dúvida, para que o gosto de sua apoteose fosse ainda mais saboroso. Ainda ganhara um presente da outra goleira, que sofreu um gol do Chivas ao fim do jogo. Finalmente, era ela a estrela da noite, era ela o motivo da felicidade vermelha, veio dela a razão de ser feito um carnaval em agosto.
Quando me dei por mim, estava observando a festa dos jogadores, na frente da Popular, atrás da goleira do placar. Logo olhei para o outro lado do campo, quase vazio, por alguns detalhes diferente da minha visão anterior. Lá estava a goleira do Gigantinho, novamente reluzente. Era observada, provavelmente, apenas por mim e pela outra goleira, que a encarava felizmente. A história era finalmente compensada.
Não se importava onde todos comemorariam. Não ligava se ninguém olhasse para ela. A grande verdade era que, quando todos saíssem do estádio e ele, mais uma vez, estivesse vazio e levemente iluminado, a goleira do Gigantinho poderia adormecer em paz, com uma certeza: nenhum sonho poderia ser melhor do que a realidade.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Fila de supermercado
Uma das coisas mais intrigantes deste mundo é a fila do supermercado. Primeiro porque, como o resto do planeta, é regida pela lei de Murphy. Se o sujeito está com pressa, sua fila será sempre a mais lenta – não importa se a sua frente exista apenas uma velhinha comprando um queijo e escovas de dente pague-duas-leve-três enquanto ao lado estejam três carrinhos entupidos de compras. Aliás, estatisticamente falando, o mais provável a acontecer nessa situação, com 23,43% de ocorrência, seria o cartão de crédito da (velha miserável que vai te atrasar)* simpática senhora estar magnetizado e ela se recusar a pagar à vista, mesmo que tenha dinheiro no bolso. Afinal, quem em sã consciência não parcelaria os 10 reais da compra em um mais cinco vezes - sem juros?
Outro ponto a ser lembrado é o dos guardadores de lugar. Isso pode até virar profissão. Pode-se até imaginar, em um futuro próximo, a criação de sindicatos para o novo ramo do mercado de trabalho. Siglas imensas, como SAGGLFSHM (Sindicato da Associação Geral dos Guardadores de Lugares em Fila de Super e Hiper Mercados) fariam parte do nosso cotidiano, com faixas de protesto nos estabelecimentos conveniados. Reivindicariam a permissão para a leitura das revistas que ficam no caixa e o bônus puxa-conversa, que premiaria com um aumento de 20% no salário – descontados os impostos – para aqueles que, além de simplesmente guardar a vez, puxassem algum assunto com quem está atrás. Nada mais justo para alguém que teve sua vaga ocupada injustamente do que um papo legal sobre o tempo ou sobre a demora que está a fila (concluindo que a direção do super-mercado deve contratar mais pessoal urgentemente). Tais reivindicações, como 98,21% das reivindicações feitas até hoje, não seriam atendidas. Por fim, os sindicatos perderiam sua força e os melhores da profissão fariam serviços particulares por agendamento. E como este se procederia?
Logicamente, mais fila.
*O "velha miserável que vai te atrasar" deveria estar riscado, o que o blogspot não permite.
Outro ponto a ser lembrado é o dos guardadores de lugar. Isso pode até virar profissão. Pode-se até imaginar, em um futuro próximo, a criação de sindicatos para o novo ramo do mercado de trabalho. Siglas imensas, como SAGGLFSHM (Sindicato da Associação Geral dos Guardadores de Lugares em Fila de Super e Hiper Mercados) fariam parte do nosso cotidiano, com faixas de protesto nos estabelecimentos conveniados. Reivindicariam a permissão para a leitura das revistas que ficam no caixa e o bônus puxa-conversa, que premiaria com um aumento de 20% no salário – descontados os impostos – para aqueles que, além de simplesmente guardar a vez, puxassem algum assunto com quem está atrás. Nada mais justo para alguém que teve sua vaga ocupada injustamente do que um papo legal sobre o tempo ou sobre a demora que está a fila (concluindo que a direção do super-mercado deve contratar mais pessoal urgentemente). Tais reivindicações, como 98,21% das reivindicações feitas até hoje, não seriam atendidas. Por fim, os sindicatos perderiam sua força e os melhores da profissão fariam serviços particulares por agendamento. E como este se procederia?
Logicamente, mais fila.
*O "velha miserável que vai te atrasar" deveria estar riscado, o que o blogspot não permite.
E que quê
Sabe, pensar faz bem. Nem todo mundo pensa. Não no sentido de raciocinar, pois isso qualquer um faz (eu acho). Digo no sentido de REALMENTE pensar. Não só sobre questões cotidianas, mas também não sobre grandes questões da humanidade. Nem sobre o novo carro do vizinho, nem sobre a dialética transcedental que rege o universo. Assim, simplesmente, pensar. Como se do inconsciente viesse um pequeno estalo, uma minúscula semente da qual - ou através da qual - se desenlaça um amálgama completo de possibilidades de coisas - e esta foi a única palavra que aqui se encaixou - a serem pensadas. Nada específico ou que realmente importe, de um jeito que dá a impressão de que estava tudo previsto. Como uma conversa singela, daquelas que surgem do silêncio para acabar em amizade, amor ou na próxima parada do ônibus. Começam por coincidências, e, quando parecem que vão seguir uma linha de raciocínio (de novo ele) previsível, novas possibilidades aparecem, se desdobrando numa cadeia de infinitos fins e começos. Deve haver algum 'quê' de irracional na mente humana. Isso explicaria muito.
Só que, ao mesmo tempo, não explica nada.
Foi de um pensamento surgido assim, do nada, que me veio a ideia de fazer um blog.
Prometo que não falo da nova Pajero preto com roda de liga leve e direção elétrica do vizinho.
Só que, ao mesmo tempo, não explica nada.
Foi de um pensamento surgido assim, do nada, que me veio a ideia de fazer um blog.
Prometo que não falo da nova Pajero preto com roda de liga leve e direção elétrica do vizinho.
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