Prefiro o silêncio aos aplausos.
Não o silêncio absoluto e estéril do vazio,
Mas o silêncio som-de-fundo
Que permite escutar.
Escuto o que sou e o que não sou.
Escuto o que fui e o que não pude ser
O que poderia ser e o que jamais seria.
Escuto o que me disseram
e o que foi dito sem som.
Pois a palavra, que é dita e ouvida
Não passa de um ruído
Se não tem o silêncio para ser pensada.
Mais vale o não dito entendido
Do que mais um urro no alarido.
E assim sigo
Contente por um nada
Que me faz apreciar tudo.
Estou certo:
Se os aplausos um dia me trouxerem a glória
Será por terem sido precedidos pelo silêncio.
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