terça-feira, 29 de abril de 2025

anfiteatro

Prefiro o silêncio aos aplausos.


Não o silêncio absoluto e estéril do vazio,

Mas o silêncio som-de-fundo

Que permite escutar.


Escuto o que sou e o que não sou.

Escuto o que fui e o que não pude ser 

O que poderia ser e o que jamais seria.

Escuto o que me disseram 

e o que foi dito sem som.


Pois a palavra, que é dita e ouvida

Não passa de um ruído 

Se não tem o silêncio para ser pensada.

Mais vale o não dito entendido 

Do que mais um urro no alarido.


E assim sigo 

Contente por um nada

Que me faz apreciar tudo.

Estou certo:

Se os aplausos um dia me trouxerem a glória 

Será por terem sido precedidos pelo silêncio.